Escoliose

eu não falo
e as palavras brotam, brotoejas, aliterações nulas da pele que tenta se camuflar
no desalinho congênito da coluna vertebral(mente deslocada)

“um pouco de lordose, a escoliose pronunciada, uma vértebra a mais”
a coluna-metáfora que me suporta quase grega, sempre estoica
não
consegue
mais
equilibrar
o peso
das palavras
raras

“uma válvula torta, que regurgita sangue”
o coração-pedra não sabe o caminho da natureza e
tenta a qualquer custo
mandar de volta o que acalenta
o sangue não chega às arestas
não aquece
o frio
que, de qualquer modo,
vem mesmo de dentro
sempre ouriçando os pelos
da menina dos pés invernais

“anêmica, um pouco, desde sempre”
fraqueza embrionária
que não coloca para fora
a profusão que desassossega
Pessoas diversas

“sensível à luz, à música alta, tem que dormir 8 horas”
o cérebro-insano desfaz-se
em
descargas
elétricas
proporcionalmente paradoxais
à quietude
da boca
e dos olhos
que não dormem jamais

“o fígado fraco, não aguenta misturar bebida”
nem mais um gole
de raiva com desesperança
ou impotência com mix de desilusão
a mistura letal
de ansiedade
com
supervalorização
da dor
que
às vezes
nem é sua

eu não escrevo
porque as palavras estão embalsamadas
no diagnóstico a ser recebido
na cadeira entrecortada
na atmosfera das mágoas
infantis
e lunáticas

[Eu choro bílis, tão visceral é meu pranto.]

Seu mimimi aqui.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s