Solipsismo

Acabou o encanto da companhia quando se deparou com os portões da incompreensão, da não simultaneidade, da falta de espelho e do desencanto.

Desencantada naturalmente, artificialmente arranjada para o belo fingir. Fingir correspondência, falsear o conforto. Profissionalizar-se em criar a reciprocidade em laboratório, forjar a luz em quartos escuros. Um paradoxo com o qual tinha que lidar todos os dias, a cabeça no travesseiro, os terrores noturnos.

Um eu lírico afastado da poesia, caminhando em passos pegajosos na falta de ansiedade da prosa, é mudo. Quando se esgueira por muito tempo nas ruas iluminadas demais do cotidiano, é morto.

Aqui jaz um sujeito poético que perdeu a poesia e virou só sujeito, um dócil escravo dos matadores de poemas.

3 thoughts on “Solipsismo

  1. Eu insisto, volta e meia, em tentar traduzir alguns dos teus textos para o violão, mas minha incapacidade não permite. Você podia escrever umas letras pra mim, o que acha? hehe

  2. Ah, consegue sim. Tem um pedaço daquele teu texto “Bem-vindo ao caos”, lá do Read Naked, que eu consegui ‘aplicar’ numas notas. Só não terminei por falta de tempo e capacidade mesmo. Mas mande coisas dai que mando daqui, pode ser essa parceria?

Seu mimimi aqui.

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