Zona de desconforto calculado

Logo de cara, se alguém menciona a tal da zona de conforto, eu canto mentalmente o mantra que Zeca Pagodinho legou à humanidade: “Nunca vi, nem comi, eu só ouço falar”.

Desde muito pequena tenho essa impressão incômoda de que a vida é uma roupa meio extravagante que não me serve e que, mesmo assim, eu preciso usar em público, num evento cujo dress code jamais apareceria no meu guarda-roupa.

Descobri, entretanto, que, mesmo não me sentindo confortável neste mundo, desenhei para mim uma bolha de ar onde eu conseguisse ao menos respirar. Um espaço o mais livre possível de conflitos, que aconchegasse minhas sensibilidades todas. E nele venho acumulando, por muito tempo, objetos decorativos inúteis, livros velhos, papéis rabiscados, sentires desastrados e tentativas frustradas de escape. Sobrevivi, enfim.

***

Viva, então, ouvi dizer que, para seguir em frente, é preciso confrontar o conforto – com todos esses efes farofentos nos dizendo que a tarefa está longe de ser fácil ou não constrangedora -. E, finalmente, tomei uma primeira, e tímida, atitude sobre isso. Melhor não entrar em detalhes, mas o excerto abaixo mostra uma tentativa vexatória de completar as lacunas diante dos itens Composição, Indicação e Contraindicação de uma bula imaginária que me acompanharia por aí.

Não é um texto do qual eu possa me orgulhar, mas faz parte do processo de deixar a zona de desconforto calculado em que vivo mostrar coisas que eu varreria para debaixo do tapete sem pensar duas vezes. Mesmo assim, foi um texto escrito antes no papel, de primeira tentativa e sem edição, então vá lá…

(Nota cabível: diminuir as desculpas da próxima vez)

Julliane tem ação inquietante e perturbadora. Utilizada em casos de necessidade de se comunicar por meio de palavras, com ênfase à correção ortográfica, mas preocupada fundamentalmente em dizer. É composta por algumas leituras, por convivência com pessoas intelectualmente estimulantes e por algumas horas voltadas aos sonhos (durante o sono e em vigília).

Por querer escrever, tornou-se jornalista. Por querer mais, tornou-se redatora publicitária. Por ser perfeccionista e um pouco neurótica, tornou-se revisora.

Deve ser mantida em temperaturas amenas, porque derrete neurônios no calor e morre com pés doloridos no frio.

Contraindicada em casos de falta de curiosidade, de lirismo inexistente e de preconceitos que não querem ser vencidos.

***

Seu mimimi aqui.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s