Ao primeiro aniversário do ano

I

Querida, mando-te
uma tartaruguinha de presente
e principalmente de futuro
pois viverá uma riqueza de anos
e quando eu haja tomado a estígia barca
rumo ao país obscuro
ela te me lembrará no chão do quarto
e te dirá em sua muda língua
que o tempo, o tempo é simples ruga
na carapaça, não no fundo amor.

Drummond

Tiago,

Você hoje acordou três anos mais velho do que eu. Só que quando eu olho em seus olhos enxergo algo de um mistério pueril, que precisa de proteção, que precisa do meu abraço sempre disposto a enredá-lo na viscosidade do meu apego.

Só que você não precisa disso, não precisa de nada. Você é autossuficiente de todas as formas possíveis. Se vira com a dor, com o enrubescer, com o apaixonar fremente; partilha a felicidade consigo mesmo, da maneira mais legítima que pode haver. Sabe lidar com a graça, com a catástrofe e com o desfavor da humanidade. Lida com o que é preciso e com aquilo de que não precisaria cuidar, porque está em você o que inspira o entendimento do compadecer naqueles cujo privilégio maior está em ter cruzado seu caminho.

O que enxergo, percebi há tempos, é minha vontade de não perder seus olhos jamais. Você não precisa dos meus cuidados e eu nunca poderia ser um bom ombro para as lágrimas que escavam  caminhos tortuosos em seu rosto que deveria ser só sorrisos. Não há o que eu pudesse acrescentar, já que você é alma coletora, e reúne em si o melhor dos outros, os melhores dos outros. Dos corpos celestes, você é astro rei, carregando planetas, estrelas anãs e outros seres menos luminosos em sua gravidade, que é sempre suficiente para alçar mais um à luz que lhe é inerente.

Você hoje acordou três anos mais velho do que eu. Eu vou correndo, diminuo um pouco a distância, mas não chego a alcançá-lo. Há anos-luz de seu brilho, sou uma lua modesta que você insiste em iluminar.

Eu, por fim, tomei conta de meu lugar a seu lado. Todo dia em que você acordar três anos mais velho do que eu, eu vou ser lua brilhando em sua órbita, para lembrá-lo de que sua luz nunca apaga porque se multiplica a cada ser sem fulgor a que você decide dar vida.

A vida em você é infinita. Seu coração não bate, irradia. E somos todos nós cativos de seu brilho.

Obrigada por isso. Parabéns por todo o resto.

Com sempre amor,

J.

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