Perturbações

A cabeça na nuvem. E um esforço sobre-humano para enfrentar o muro de palavras que se erguia a cada vez que os dedos tocavam o teclado com medo que o barulho das teclas acordassem o monstro da alma.

O monstro, quando acordado, diz o que não se deve jamais pronunciar. “Não é falado, está escrito”, ele retruca, irônico brincalhão das palavras. “Não diga como se fosse fado aquilo que está para se tornar fato”, replico. Ele fica em silêncio, como fingisse um encolhimento quando, bem sabemos os dois, é no silêncio que ele se expande, alimentado de tudo que se cala.

Havia muito o que dizer, mas escalar o muro exige mais que força. Pendurada em cada jogo de palavras, vou me esgueirando, tentando criar subterfúgios em duplos sentidos, anástrofes e anacronismos, tentando usar as palavras do avesso. Muitos tentam se explicar com elas; eu quero confundir.

Soubesse o monstro, não tentaria me fazer falar. Eu só digo a verdade quando não digo. Fatais mesmo à mentira são os olhos, porque eles não falam, escancaram a alma.

Ao dizer, eu só desdigo.

Seu mimimi aqui.

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