Desgaste

Setembro

Fazia muito calor naquele inverno. E eu lidando com a injustiça de ter minha estação preferida maculada por abafamentos diversos. Quantos dias de frio há no verão? E ainda que houvesse muito ar, porque há um vento turbulento enquanto eu não converso com você, permanecia o sufocamento. Tenho estado amplamente sufocada pelas palavras que não digo, pelo calor de agosto e agora de setembro, por não saber se, neste caso específico, tenho agradado mais que desagradado.

Agora vejo claramente que não me enganei quando li aquelas convicções de forma incerta. Continuo não sabendo o que você diz ou como eu deveria me portar. Sou uma desajustada.

***

Outubro

Enquanto eu parei e observei o céu branco encardido pela poeira que, agora eu tenho certeza, não vai baixar tão facilmente, pensei se terminaria dessa vez de escrever

Voltei e estava há mais de 25 minutos sem ao menos pontuar a frase para fingir que terminava o pensamento. Não seria dessa vez.

***

Novembro

Hoje foi um dia de quase frio. E a independência de meus terminais nervosos gritava dizendo que não era só o calor que cansava, que me calava. Era uma exaustão de dentro para fora que impedia o foco dos olhos, o respirar dos poros, a sobrevida de uma falsa calmaria.

“Está ansiosa?”

Respondi com um sorriso, calei a perna que transbordava a agonia.

Não é ansiedade, é desgaste.

Seu mimimi aqui.

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