Procurando o sentido da vida no dicionário.

Os ignorantes são infelizes

Ensaiei dezenas de palavras que pudessem não só dizer, mas organizar meus pensamentos, os sentimentos que se alternam confusamente desde que se manifestou o cenário irrevogável em que hoje vivemos.

Não saiu o texto porque não se encadeou o pensamento.

A verdade, conceito sempre turvo, perdeu-se definitivamente no obscurantismo de um tempo em que as informações demoravam distâncias inteiras para virem à luz. Hoje é a própria luz que as traz à tona.

Na fragmentação desses tempos, entretanto, ficamos ainda mais perdidos. Ignoramos razões, estopins, embasamentos diversos. Ignoramos como chegamos a esse momento; ignoramos seu destino. Nosso destino. Ignoramos em que acreditar, ignoramos que livros ler ou reler para entender, para criar projeções. Ignoramos, e, por ignorar, nos perdemos em meio a tanta informação. Ignoramos quem ouvir, ignoramos o que dizer.

A ignorância, dizem, traz felicidade. Pois eu digo e vejo muito por aí: ignorar tem me feito sofrer muito mais.

O corpo fala

Quando disseram que o “corpo fala”, eu pensei que fosse outra coisa.

Até procurar “torcicolo” no dicionário:

Torcicolo
Derivação: sentido figurado.
ambiguidade de palavras
Ex.: quem quer ser bem compreendido deve evitar torcicolos

Estou tentando evitar torcicolos desde que me conheço por gente, mas, até quando não falo, meu corpo quer transbordar palavras.

31 de dezembro

Meu quarto está uma bagunça. Há roupas limpas e sujas misturadas, o que indica que colocarei tudo para lavar novamente. Há pilhas de livros sobre a escrivaninha, sobre a cama, embaixo do colchão. Alguns lidos pela metade, a maioria não começada. Calçados revirados me lembram das vezes em que cheguei de madrugada nos últimos dias sem saber muito bem onde deveria deixá-los ou onde havia estado com eles – se eu deveria mesmo ter ido é algo também a se pensar -.

Para não bater com o vento, a porta está apoiada em uma edição especial de “Ulisses” comprada em um sebo há uns quatro anos. A escolha do livro, veja bem, não é preciosismo ou ostentação. É que ele tem funcionado muito bem como peso em todos esses anos. O peso do fim de mais um ano em que não terminei de ler um dos clássicos. Em que deixei de ler várias coisas, assistir a vários filmes, fazer muitas das coisas que eu gostava.

Nada foi mais relegado, entretanto, do que as coisas que eu deixei de dizer. Do que tudo que eu gostaria de escrever. Há palavras acumuladas em todos os cantos, nas pontas dos dedos, escorrendo pelos cabelos caídos no rosto, que tentam em vão esconder as palavras gritando no canto do olho. Tentei, tantas vezes, esconder o que eu precisava dizer, mas os olhos, se você olhasse no fundo dos olhos, talvez conseguisse ler o que eu não tenho coragem de dizer.

Substituí minha lista de coisas a serem feitas no ano que vem por uma lista de coisas a serem ditas. Principalmente, a serem escritas. Quero guardar menos palavras nos cantos das minhas angústias. Depois de um tempo, notei que as palavras não ditas machucam mais do que aquelas que eu digo. E há várias cicatrizes das quais preciso cuidar com mais carinho.

O que deixei de falar

Você me perguntou se eu não me contentava com palavras. E eu não consegui responder, porque fui colocada em um tribunal fajuto, diante de uma testemunha muda e opressora, porque minhas lágrimas, tolas e envergonhadas, se atrapalharam ao escorrer, transgrediram os vales do meu rosto e impediram qualquer sentido de sair dos meus lábios desnorteados.

Não que eu não esperasse pela voz alterada, pelo tom quase ríspido. Não que eu não lhe desse razão. Não é que eu não compreendesse as hipérboles, os pleonasmos, as frases que pareciam sair prontas de pensamentos arquitetados em outros tempos.

Não que eu não tivesse justificativas cabíveis, rubricáveis e legítimas. Não que a cada colocação eu não cogitasse uma resposta justa para ser estilhaçada em seus olhos vermelhos – eu não sabia se prestes a chorar ou apenas rubros diante do momento áureo da explosão –.

Não é que eu não quisesse ouvir aquilo ou que não fosse capaz de suportar verdades empurradas goela abaixo do meu orgulho.

É que eu não saberia conviver com o encerramento daquela conversa – monólogo com participações não especiais –. É que minhas palavras saíam aos coices, desesperadas por selecionar o que precisavam calar, por tentar impedir que a ironia respondesse por elas. Porque quando sou colocada em tribunais cujo desfecho é outro que não a absolvição é a ironia que quer me salvar, salvar meu orgulho, minha chance de maquiar as aparências que derretem em rios de água salgada.

O caso é que eu lutava contra um insidioso desejo de espalhar minhas lágrimas em você, de deitar a cabeça em seu peito e dizer que, sim, eu já sabia daquilo tudo, eu conhecia todas as suas vozes, eu previa cada uma de suas angústias. Eu queria gritar que o culpado era o seu medo, a minha corda bamba e a repulsa que sentimos da felicidade.

Queria esmurrar partes milimetricamente incalculadas do seu corpo e beijar seus olhos e segurar seu abraço por um minuto a mais. Minha fragilidade esparramada queria caber em suas mãos fechadas, na textura caprichosa de seus lábios ressentidos.

Eu estava sendo acusada e não podia pedir outra coisa que não sua voz em sobressalto dizendo que me amava, que pararia o mundo por mim, que queria tudo como era antes. Eu não queria perder seu descontrole, o tremor rancoroso em sua voz, a gagueira infantil plenamente superada para expelir a raiva que você sentia por eu ser como sou.

No desvario daquela cena absurda, eu queria dizer aos soluços que te amava, e amava mais ainda o desconcerto dos seus olhos que não conseguiam me focar, a forma como eu enxergava em você o menino daqueles dias e o quanto eu estava orgulhosa de ouvir com clareza o que seu peito vociferava desde que o mundo era outro.

Eu queria sussurrar, já sem forças, que eu precisava mesmo de você para arrumar minha desordem, que meu desassossego só repousava em seu olhar e que só há dia para minha poesia, nessa e em outra vida, quando há você para instigá-la.

É claro que me satisfaço com suas palavras, mas também tenho uma vontade imensa dos seus silêncios.

Frio

Ele chega, mesmo quando eu penso estar protegida, mesmo quando já ensaiei meus costumes para a parte crucial da festa. Quanto mais madrugada, mais perigoso fica. Eu deveria virar abóbora à meia-noite, como prega o conto de fadas, mas não tenho vocação para princesa e insisto em rondar o horário dramático, o momento difuso em que o não pertencer fica pesado demais, indissipável demais.

Ele chega e se faz senhor. Tudo se torna glacial. De uma languidez perturbadora. Um tremor percorre o corpo de dentro para fora. Da alma aos poros em riste. Some primeiro o foco do olhar, é impossível captar com os olhos o que quer que seja vida. O pulsar, desconfio, some também, já que desaparece o calor, as extremidades amortecidas na apatia da palpitação, os órgãos impotentes cogitam hibernar.

Somem as palavras; cessa o desejo; aparece, mesquinha, a veleidade.

Ele chega, eu sempre espero. Não importa se naquele dia não o desejei. Se naquele dia resisti ao fingir. Se há dias ele não era alimentado por palavras. Basta vestir roupa de festa, traje de felicidade, sorriso de porta-retratos. Ele sente cheiro de perfume fora da caixa.

“Cadê o sorriso?”, pergunta o retratista enfadonho. Se alguém pudesse ouvir meus olhos, saberia que não há resposta a essa dúvida, e que não é mais familiar ao tempo o rosto do primeiro a perguntar. O problema maior é que o frio tem ouvidos de ar, e já sabe que qualquer deslize é o bastante para saber que é chegada a hora.

Ele chega. E sabe que eu não consigo dormir com os pés gelados.

Culpada

É preciso não beber nada. Ficar sóbria o quanto for possível. Por hoje, apenas – talvez – não ceder.

Acordar com a alma pesada é assim. Ficar pelos cantos ensimesmando os cantares, andar na linha para não desalinhavar os contados. É um traço difícil, frágil costura a que me liga à sanidade que eu insisto em construir.

Se há construção, entretanto, há desabamentos. É uma consequência, ainda que não se determine tempo. Nem preciso pensar a fundo para saber que a estrutura é mais delicada quanto piores forem os materiais que a formam. Não preciso dizer também que espero um ruir a qualquer momento.

***

Sou culpada. Não me lembro de ter negado. Nas vezes em que minhas palavras resvalaram na direção de me defender, você logo fez questão de se mostrar imune às minhas tentativas. Calei antes de qualquer deslize.

É pena você também não calar. Às vezes penso que as coisas que você diz fui eu que escrevi durante um sonho poético e premonitório e depois esqueci só para achar mais lindo quando alguém me dissesse. Há, pois, o perigo da beleza. A crueldade do que é belo é catastrófica.

É minha culpa, já disse? Pena que lançar minhas faltas em palavras não me faz menos culpada. Elas têm raízes profundas, e são cultivadas com água salgada. Em abundância.

***

É preciso ficar sóbria. Já me basta estar engasgada de palavras.

Leminskiando – parte 4

“Eu vou dizer uma coisa agora que vocês depois se quiserem cortar… ou não. Você ouviu falar da obra dele, o ‘Catatau’? Naquele tempo, nós vivíamos o tempo do amor, rock ‘n’ roll e drogas. Ele pegou meio quilo de maconha, um quilo de maconha, foi ao pico do Marumbi, numa cabana, ficou cerca de um mês, quase dois meses lá, e daí nasceu o ‘Catatau’. Ele fez uma experiência de como seria você usar a maconha e escrever sob o efeito da droga, deu o ‘Catatau’. Difícil de ler, um encadeamento de palavras aparentemente sem sentido. Foi isso.”

Essa foi uma das histórias contadas por Antonio de Jesus, presidente da Academia Cascavelense de Letras, que foi aluno e amigo de Paulo Leminski. Jesus conta ainda como era o Leminski professor de cursinho, explica por que ele era um poeta multimídia e fala sobre um primeiro livro perdido de Leminski.

Entrevista publicada em  de outubro de 2009, na edição 88 do Gazeta ALT.

***

Gazeta-ALT---ed88---25-10-09

Diagramação e arte: Jeferson Richetti
Edição: Anderson Antikieivcz Costa

[Ideograma]

Julliane Brita

Há muito que dizer de um poeta. Ainda mais se quem fala é um da mesma espécie. Para os que pensam que não há ligação entre Paulo Leminski e Cascavel, uma voz que por aqui muito se ouve diz o contrário. O presidente da ACL (Academia Cascavelense de Letras), Antonio de Jesus, foi aluno e amigo de Leminski. Aprendeu com ele as imposições de métricas e rimas, o rigor dos clássicos; e, depois, aprendeu a despojar-se delas. Soube que poesia era liberdade.

A cadeira ocupada por Jesus na Academia daqui tem o nome de Leminski, e as memórias também. O prefácio do primeiro livro publicado e o incentivo de se mostrar. Um poeta não é menos poeta quando não é visto, mas a linguagem sempre pede passagem. Um livro perdido de Leminski, a história da feitura de “Catatau” e a decepção dos não incautos. Leminski vive em muitas memórias.

 

ALT – Quem foi Paulo Leminski para você?

Jesus – Conheci Leminski no Cursinho Abreu, que na época era o cursinho preparatório para a universidade de direito, e ele era um professor que traduzia naquela época o que nós temos hoje, os chamados professores showmen. O Leminski tinha uma didática espetacular. Ele, olhando pra gente, desenhava no quadro que estava às costas a bota itálica para falar, por exemplo, de um período histórico que envolvia a Itália antiga ou a Idade Média; e ele correlacionava história com literatura, história e literatura com a ciência da época e explicava o porquê da poesia, da literatura de uma época, quais as influências que ela havia recebido da história e da ciência que se desenvolvia naquele momento. Então ele amarrava de tal maneira que o aluno não tinha como não se lembrar. Ele era extraordinário nesse ponto, porque, por exemplo, eu me recordo de uma das aulas de história em que ele falava sobre Inês de Castro, então ele falava do príncipe apaixonado que, ao sabê-la morta, entrava nu na igreja, desesperado, e ainda ele fazia piada: “Pois é, vocês já imaginaram o príncipe, o apaixonado pela Inês de Castro, pelado, entrando com as coisas balangando dentro de uma igreja, dentro de uma catedral?”. Todo mundo dava risada, mas aquilo, naquele instante, era gravado na cabeça da gente. E ele sabia fazer isso com uma maestria que só ele tinha. O Leminski falava acho que 14 idiomas, ele usava os ideogramas japoneses, chineses e tal, e ele tinha também outro lado. Ele nos ensinava o rigor da língua, ele nos ensinava aquilo que era, por exemplo, no haicai. A métrica, as regras, o haicai tradicional, que é radical, não admite que você faça diferente. Ele dizia até que no Japão os mestres do haicai passavam anos para fechar um haicai porque não tinham encontrado a palavra ou a rima certa. Aí depois que ele nos ensinava qual era a forma correta, ele dizia, “mas nós brasileiros somos incapazes de fazer um haicai como o japonês faz, porque ele faz em cima do ideograma, e são intraduzíveis para o português”. Por exemplo, o haicai de verão, o de inverno… e esse haicai, ele é mais zen, é observativo, e nós brasileiros não conseguimos escrever nada sem colocar a emoção, o haicai é frio, é zen. Aí ele dizia assim, então vocês façam do jeito que vocês sentirem. O Leminski nos ensinava o rigor técnico, mas depois dizia que o estro, a inspiração, ela não pode também ser aprisionada numa camisa de sete varas. Então a gente faz a poesia com a liberdade da inspiração que vem de dentro, cada um faz do seu jeito. Você pode não fazer um haicai, mas você vai fazer alguma coisa parecida, com gosto, com cheiro de haicai. São os quase haicais. E você faça como você puder agora, depois você bota na gaveta, guarda e à medida que vai avançando na técnica você vai refazendo aqueles rascunhos. A poesia, os haicais, eles são sempre obras em construção, vale todo o esforço, coloque sempre no papel.

 

ALT – Quanto tempo durou a convivência entre vocês e como aconteceu?

A. J. – Minha convivência com o Leminski foi duradoura. Começou no cursinho, ele nos acompanhava nos vestibulares, geralmente ele fazia o vestibular com a gente, tirava sempre dez, mas nunca fazia o curso. Nos anos subsequentes, nós nos tornamos amigos. Eu trabalhava numa editora, Editora Fonte, eu era o editor de uma revista chamada Cine TV. E ele tinha um livro na gaveta e a gente sempre cutucava “Mas que poeta que você é, você tem algum livro publicado?”. Um dia ele me trouxe um original e eu consegui que minha editora publicasse uma tiragem pequena, 300 livros. Eu não sei o nome do livro, porque o nome era um ideograma, nós fizemos uma primeira tiragem, esse livro eu não vejo na bibliografia dele, deve ter se perdido, mas nós tiramos 300 exemplares. E a gente sempre se encontrava via de regra ali nas proximidades da Boca Maldita, naqueles bares que tem ali, à tarde, na boca da noite, gostava de tomar chopinho ali. Várias vezes a gente ficou ali jogando conversa fora, e ele dizia que queria fazer coisas diferentes, que estava pensando em ir para a publicidade, e foi, que queria fazer jornal, e foi. Ele colocava pra gente e de repente você via ele estava fazendo aquilo. Então a nossa convivência foi longa, convivência de amigo. Eu vou dizer uma coisa agora que vocês depois se quiserem cortar… ou não. Você ouviu falar da obra dele, o “Catatau”? Naquele tempo, nós vivíamos o tempo do amor, rock n’ roll e drogas. Ele naquela época pegou meio quilo de maconha, um quilo de maconha, foi ao pico do Marumbi, numa cabana, ficou cerca de um mês, quase dois meses lá, e daí nasceu o “Catatau”. Ele fez uma experiência de como seria você usar a maconha e escrever sob o efeito da droga, deu o “Catatau”. Difícil de ler, um encadeamento de palavras aparentemente sem sentido. Foi isso. A gente conviveu uns dez anos. Um cara bacana, amigão assim.

 

ALT – O que influenciou na sua forma de escrever ter convivido com o Leminski?

A. J. – Pois é, eu tinha um senso bastante crítico, eu fazia e tinha vergonha de mostrar, eu aprendi com ele, inclusive, a métrica, a rima, essas coisas todas, que ele ensinava e dizia, “mas, olha, não necessariamente vocês são obrigados a fazer poesia dentro da métrica rígida e da rima, você pode fazer a poesia livre e tal”. Foi aí que eu descobri que podia fazer uma poesia mais livre. E foi quando eu escrevi esse primeiro livro meu, “Incoerências, pessimismos e incertezas”. Esse livro nasceu foi que eu comprei uma máquina de escrever nova, e eu tinha bastantes poemas nos livros do primeiro ano da faculdade, às vezes tinha umas aulas chatas e ficava rabiscando e fazendo poemas. Aí eu passei a limpo. Se você olhar esta capa de perto, vai ver que eu fiz a capa a partir de recortes dos jornais da época. Os Beatles estavam em pleno sucesso; em Minas Gerais, os policiais estavam baixando pau nos estudantes, em plena Ditadura; Roberto Carlos acabara de ganhar o prêmio de San Remo; a guerra do Vietnã estava em pleno de andamento; e esse rapaz e esse semáforo aqui significavam a minha própria indecisão sobre o rumo a seguir. Então passei a limpo e quem prefaciou esse livro pra mim? Foi o próprio Leminski, que era meu professor:

 

Poesia é um exercício
de humildade, do cotidiano
e da valorização das coisas “pequenas”, que
são as que contam.
Você sabe dizer do cotidiano,
nada espere, em poesia,
do que dela não seja.
Você já está na “3ª
margem do rio”.

 

E assina Leminski, de próprio punho. E por essas razões e mais outras, quando nós criamos a Academia Cascavelense de Letras e fomos escolher os patronos, eu indiquei o nome dele e reivindiquei ser o titular da cadeira para qual ele foi escolhido o patrono. O amigo, o mestre e o grande escritor paranaense de todos os tempos, que, hoje, começa a ser um ilustre desconhecido para as novas gerações que não conheceram o concretista, o professor, o jornalista, o publicitário, o compositor, que ele fez “n” letras de música e fez música com os grandes revolucionários da música popular brasileira. Então é por isso que as pessoas dizem que o Leminski foi um poeta multimídia, efetivamente ele atacou em todas as mídias, e em todas elas com raro brilhantismo.

 

ALT – Qual é a importância de a academia redescobrir a obra de Leminski?

A. J. – O Leminski unia as duas coisas: o conhecimento profundo dos meandros da língua portuguesa, não só da língua portuguesa, porque ele era versado na literatura mundial, e também brigava para que as pessoas soubessem em profundidade os meandros da língua portuguesa, o vernáculo português, mas também ele dizia que a criação pressupunha liberdade de experimentação, liberdade de fazer diferente, liberdade de você construir segundo a sua visão da realidade da literatura. Então ele unia o rigor científico com a liberdade de expressão. Nisso ele foi extraordinário, porque ele não exigia que seus alunos ficassem presos a uma camisa de força. E em outra coisa que o Leminski foi importante, que eu acho que hoje em dia é fundamental, é que hoje ninguém aprofunda mais nada, ninguém arrisca a ir além, o professor hoje, via de regra, é um mero anunciador de conteúdos; ele ia além do conteúdo, propunha que nós todos experimentássemos, não só conhecer as regras, a história da literatura, mas ele nos estimulava a tentar fazer literatura.

 

ALT – Com relação ao Leminski jornalista, você acredita que ele estaria contente com o jornalismo atual?

A. J. – Olha, ele era meio revoltado, até contra os próprios alunos dele. Eu lembro uma vez em que ele dizia pra mim que ele se sentia muito entristecido de ensinar, ajudar os filhinhos de papai a entrar na faculdade e depois se tornarem não agentes da boa prática profissional, mas meros mercantilistas. E ele se sentia até meio acabrunhado de ter servido de escada para pessoas que depois não iam servir a comunidade, a humanidade. Ele achava que o advogado tinha que ter um compromisso social, os médicos e as outras profissões idem. Então com certeza hoje ele não estaria feliz com o jornalismo que se faz, um jornalismo mais comprometido com as linhas editorias, dos donos do poder, do que com o público.

 


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Julio Ibelli

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